quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O meu nome é João

O meu nome é João e tenho 6 anos.


Na semana passada fui pela primeira vez à escola, a minha mãe sempre me disse que ia fazer muitos amiguinhos e que nem ia dar pelo tempo passar, disse-me que lá ia aprender coisas novas e que me ia divertir e, que mal chegasse a casa iria contar as horas para lá voltar.
No primeiro dia de aulas ninguém brincou comigo, se aproximou de mim ou falou comigo, e, ninguém sem ser a professora me perguntou como me chamava.
Tenho seis anos tal e qual como eles, tenho duas pernas, dois braços, dois olhos, duas orelhas e um nariz tal como eles, mas mesmo assim ninguém brinca comigo, ninguém fala comigo.
Não sei porquê… eles não gostam de mim, não se aproximam de mim sequer, devem ser tímidos… não sei, ou então têm ciúmes meus porque eu tenho duas professoras só para mim e eles não.
No outro dia perguntei à Maria se queria jogar à sardinha comigo, mas ela disse que não porque não me queria tocar, disse que tinha medo de ficar como eu. Eu não percebi o que queria dizer com isso, mas fiquei triste.
A minha mãe viu-me triste, abraçou-me e perguntou-me o que se passava, e eu disse ‘Não tens medo de ficar como eu?’, ela explicou-me que eu era um menino especial e que não devia estar triste por ser diferente, que triste deveria estar a Maria por não querer ter brincado comigo.


O que ela não sabia é que a Maria não era a única que não queria brincar…


O meu nome é João e tenho síndrome de down.





Margarida Leite
1 de Novembro de 2010

9 comentários:

  1. De facto esta história toca qualquer um, mas é a pura da realidade.. as crianças são egoístas e mesquinhas, mas não tem culpa.. são crianças!
    Para mudar a posição das crianças, acho que o fundamental está em sabermos explicar o porquê e fazê-las perceber que as pessoas diferentes de nós nao sao piores, são apenas diferentes!
    beijinho
    Liliana Gonçalves

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  2. Com o nosso trabalho pretendemos mostrar mesmo isso, que o preconceito está em cada um de nós, independentemente da idade, os pais passam aos filhos e esses filhos por sua vez passarão aos seus filhos, é um ciclo vicioso.
    As crianças não têm culpa, não pensam no que realmente é o problema, não sabem a gravidade da situação e de como muitos meninos como o João se sentem, o problema está nos pais que não fazem com que essas crianças reajam de outra maneira à diferença.

    Muito obrigada liliana :)
    Beijinhos

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  3. E que além de mais ser diferente não é necessariamente mau, somos só 5 raparigas que estamos a tentar combater o preconceito para com essas pessoas, mas de certo que não seremos as únicas, apesar de ser chocante o número de pessoas que não dá importância à integração destas pessoas, que merecem todo o apoio que possam ter. Esperemos que muitos mais se juntem à nossa causa :)

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  4. o vosso blog esta muito bom mesmo : )

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  5. Parabéns meninas pelo trabalho. Continuem lutando e estudando sobre o assunto para disseminar informações. Atuo há 14 anos na área e credito que o problema maior é a IGNORÂNCIA em relação a estas pessoas. Que bom que vc estão iniciando cedo, terão uma longa caminhada pela frente. Que DEUS abençoe o esforço de vocês. Beijos no coração e MUITA LUZ!!!

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